Revisão pelos pares
Eduardo Esteves
Licenciatura em Engenharia Alimentar (3º ano)
Objetivo que se pretende atingir com o uso da estratégia
Desenvolver as capacidades de: elaborar um trabalho escrito seguindo regras específicas, leitura crítica de um trabalho atendendo à forma (cumprimento das regras) e ao conteúdo (tendo necessariamente de o estudar previamente); reportar, anotando, comentando, etc., em resultado dessa leitura crítica e avaliar esse trabalho usando uma grelha pré-definida de parâmetros.
Tempo (i) de preparação e (ii) em aula
2h para definição dos tópicos a propor e, após atribuição dos tópicos aos grupos, distribuição dos trabalhos para revisão pelos grupos e (ii) 1h para distribuir tópicos pelos grupos e dar instruções/esclarecer processo (incl. grelha de avaliação).
"Recursos necessários (ex. espaço, organização do espaço, material, etc.)"
Atualmente, e recorrendo ao Moodle, a submissão dos trabalhos pode ser realizada como ficheiros PDF e a respetiva revisão usando as ferramentas de comentário de um qualquer editor de PDF. A gestão do processo de distribuição dos trabalhos e receção das revisões terá de ser 'manual'.
"Frequência" de utilização (apenas uma vez ou frequentemente?)
Utilizei esta estratégia, uma vez por semestre, durante 3 anos letivos (2012-2015). Pretendo reativar neste ano letivo.
"Prática": como é aplicada, o que requer dos estudantes, que instruções devem ser dadas
Depois de definida uma lista de tópicos (pelo docente) e organizados os grupos de alunos (3-4 alunos; pelos alunos ou pelo docente), são sorteados os tópicos pelos grupos. Providencio instruções escritas e relativamente pormenorizadas sobre o formato do trabalho, assim a grelha de avaliação que iremos utilizar. Desde esse momento, durante cerca de 4 semanas, os grupos desenvolvem os respetivos trabalhos. Após entrega dos trabalhos, distribuo/sorteio 2 tópicos/trabalhos para revisão/avaliação por cada grupo e estipulo um prazo de 2 semanas para devolverem 'relatório' de revisão/avaliação (em que justificadamente avaliam trabalhos). No fundo, 'comporto-me' como o editor de uma revista técnico-científica. No final, compilo revisões/classificações e cálculo nota final que considera, para cada trabalho, a minha classificação e as duas classificações pelos pares. Discordâncias exageradas entre as classificações dadas por mim e pelos pares, exigem justificação pelos alunos.
Principal motivação para colocar a estratégia em prática?
Abordar tópicos interessantes, mas não-essenciais ou complementares àqueles que constituem o âmago da UC e, simultaneamente, envolver os alunos, seja no estudo e produção de conteúdos sobre um tópico desconhecido à partida, seja no estudo e 'avaliação de conteúdos' elaborados por outros (desempenhando o 'papel de professor').
Reação ou resposta dos estudantes?
Porque é mais exigente em termos de trabalho dos alunos extra-aula, os estudantes rezingam a princípio; todavia, a oportunidade de avaliar os colegas (e ser avaliado pelos colegas) soa-lhes interessante/desafiante.
Evidência(s) do sucesso da estratégia (para si próprio, enquanto docente, e para os estudantes)?
Apesar não ter 'hard evidences', esta estratégia torna possível abordar tópicos interessantes integrados na/relacionados com UC num formato em que desempenho papel 'diferente' e, no qual, os alunos são estimulados a elaborar um trabalho tendo em atenção o facto de serem avaliados (parcialmente) pelos seus pares - simulando, por ex., o modus operandi da publicação em Ciência). Os resultados da avaliação contribuíram regularmente para 'melhorar' a nota final dos alunos na UC.
Escala - "usabilidade" com turmas grandes e/ou pequenas?
Eventualmente funciona melhor com grupos relativamente pequenos, até 20 estudantes, porque com turmas maiores, o nº de tópicos/temas e/ou dimensão dos grupos tornam o processo demasiado 'exigente'.
Transferabilidade para outras UC que leciona? Como? Porquê?
Funcionará com qualquer UC.
